Alguns comparam Bridget St John a Nico (talvez pelo tom de voz grave ou pela melancolia das canções), mas nunca me ocorreu pensar nisso. O que me veio à mente foi a música de Nick Drake. Aliás, é neste exato momento que Bridget St John começa a falar sobre ele, relembrando um período de dois anos em que se encontravam ocasionalmente, e toca uma versão de "One of These Things First". Mas os tributos não pararam por aí. Houve ainda espaço para uma versão de uma canção de John Martyn e duas de Michael Chapman (uma delas sendo a fabulosa "The Aviator"), figuras às quais ela se refere como 'irmãos'.
Emma Tricca tocou na primeira parte e juntou-se a Bridget St John para o encore da noite. Mais uma vez, li um texto que apontava elementos da música de Nico (e também de Patti Smith, talvez pelo corte de cabelo, digo eu) no estilo de Emma Tricca, mas não consigo ouvir nada disso na sua música. Ela tem uma voz suave, ao contrário das outras duas, e só consigo encontrar elementos que a aproximam de Nick Drake (principalmente no som e na forma de tocar guitarra) e de Joni Mitchell. Possui técnica. Dedilha as cordas da guitarra na vastidão da tradição folk de Bridget St. John, e embora esteja longe da singularidade das composições de finais dos anos 60, ela consegue criar um peculiar revivalismo que nunca resvala em tendências de retromania. Juntas, tocaram o novo single "Rubies" - uma música que fala sobre a sensação de não pertencer a um tempo específico, de ser um outsider, de não se encaixar em nenhuma cena musical, nem no tempo, nem no espaço. Em seguida, no embalo da noite outonal, encerraram com a célebre "Ask Me No Questions", uma canção que respira uma intemporalidade lendária.
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