8.6.18

Pauline Oliveros, Stuart Dempster & Panaiotis - Deep Listening (New Albion, 1989)


As meditações acontecem quando a casa arrefece e de fundo há só um manto de trânsito da avenida. Há semanas que ando a tentar entrar neste deep listening da Pauline Oliveros e a ver/ouvir nele um princípio de tudo: o sopro para esta meditação e para esta escrita livre. Não é apenas o título/conceito do disco/obra, é também esta ideia de espaço, a ideia de um lugar (não sei quantos segundos de reverberação, quarenta e cinco, parece) onde a música feita e um organismo único, texturas vagas, a ideia de um lugar que não existe quando escutado. As cisternas possuem este eco imenso (esta, uma cisterna de um forte do exército) e a única vez que experimentei algo do género foi quando entrei numa fábrica-moagem em ruínas e atirei pequenas pedras para os buracos dos silos. Mas aqui temos instrumentos: o acordeão da Pauline Oliveros, o trombone e o didjeridu do Stuart Dempster e a voz e assobio do Panaiotis num drone contínuo a acompanhar as ondas sonoras do eco imenso. Este é um princípio de tudo.

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