8.6.18

Brian Eno - Ambient 1: Music for Airports (Editions EG, 1978)


Espero pelo momento certo para entrar neste aeroporto imaginário do Eno, invenção ambiente, fora da pop mas dentro da melodia. É um Eno inspirado nos trabalhos de Steve Reich - as fitas magnéticas e os loops - a fazer do estúdio o instrumento de composição: os loops de diferentes durações justapostos em diferentes camadas dando origem a sequências que nunca se repetem da mesma forma. São ciclos de repetição incomensuráveis, subvertendo-se assim a ideia de repetição que na verdade nunca se repete. Cria-se assim a ideia de mantra ambiental: um piano tocado pelo camarada Robert Wyatt, um outro desacelerado e uns sons de sintetizador num vai-e-vem enigmático; as vozes manipuladas num espaço só delas; e por fim recortes e retalhos de partes de orquestra. Tudo isto ensaiado com máquinas de fita magnética, uma ponta colada à outra, comprimentos diferentes e a fita a passar por braços e pernas de cadeira de alumínio. Os efeitos são sempre imprevisíveis e no fundo é toda uma obra que nasce da simplicidade. 

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