"Eventualmente tivemos a ideia de tentarmos ser um baixista e um baterista, apenas isso. Quando começámos a gravar coisas eu gravava várias pistas de baixo e ele gravava várias pistas de bateria e eventualmente chegámos à conclusão de que deveríamos ter dois baixistas e dois bateristas. Foi mais ou menos assim que tudo começou." Quem diz isto é Doug McCombs, baixista dos Tortoise, numa entrevista ao The Guardian, em 2015. O baterista de quem ele fala é John Herndon. Começaram a tocar juntos em finais dos anos 1980 num formato bem diferente das suas respectivas bandas. Herndon era o Johnny Machine dos Precious Wax Drippings, banda que gravou dois eps e um álbum entre 1988 e 1990. McCombs era já membro dos Eleventh Dream Day, desde 1983. Pouco tempo depois (1991) recrutaram a segunda dose de baixo-bateria, nomeadamente Bundy K. Brown e John McEntire, dupla de Bastro e Gastr Del Sol. Um telefonema para Dan Bitney (baterista dos Tar Babies) ditou a primeira formação dos Mosquito, entre 91 e 92. O nome, uma atitude irónica em relação ao esquema "grandioso" duplo de baixo e bateria, acabou por não ficar. Existia uma outra banda (que não durou muito tempo) chamada Mosquito (de Jad Fair e Steve Shelley, entre 92 e 94) e acabou por ficar Tortoise.
As influências eram bravas numa altura em que o grunge dos Nirvana e Smashing Pumpkins era a nova ordem: a) numa primeira fase, até à entrada de Pajo, não existiam guitarras nos Tortoise o que acabou por ser uma autêntica tabula rasa no rock experimental; b) não havia a centralidade da voz (nenhum deles queria realmente cantar, se bem que o primeiro single da banda Lonesome Sound era uma canção cantada) o que obrigava a diferentes tipos de arranjos, diferentes estruturas, e uma procura mais consciente de instrumentos pouco usuais; c) um desses instrumentos era a marimba d) e, apesar da proximidade da AACM, numa abordagem mais próxima de Six Marimbas de Steve Reich e de My Life In The Bush Of Ghosts de Byrne/Eno, do que propriamente do universo jazz.
O krautrock dos Can, o western-spaghetti de Morricone, o Paris-Texas de Ry Cooder, o repetitivismo de Reich, são todos eles influências na linguagem do primeiro disco Tortoise (Thrill Jockey, 1994), influências que nunca soam como aprendizagem ou a um processo de criação, mas sim como ideias abstractas que se diluem na vontade assumida de colocar tudo em ebulição experimental, sem nunca querer ter um conceito definido. Chicago era também um factor determinante. Nela gravitavam géneros tão aparentemente díspares como o punk, o rock alternativo, o house, o hip-hop e o jazz, e dada a proximidade entre músicos, e uma atitude de não rejeição de estilos marcadamente diferentes, a cidade tornou-se ela também sinónimo plataforma de liberdade artística e vínculo de identidade.
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