23.2.16
1990: Twin Peaks :2016
1990. A pop neon dos jackpots musicais de toda uma década entra num inevitável declínio kitsch. O outro mundo subterrâneo do pós-punk, da dark wave, do rock gótico, da dream pop 4AD sai à procura de outras negritudes artísticas sob pena de se fossilizar nas fórmulas demasiado obscuras. Como em qualquer início de década adivinha-se uma mudança de paradigma, uma nova fluência de estilos, uma invenção (ou reinvenção) de géneros. Estamos ainda longe do Grunge e da Brit Pop, estilos que definiram uma década com guitarras eléctricas, e há ainda um travo enigmático no futuro do sintetizador como instrumento de primeira ordem. 1990 é, assim, o ano das baladas góticas de Nick Cave em The Good Son, do mergulho profundo dos Depeche Mode em Violator, das camadas de ruído rock de Goo dos Sonic Youth, da afirmação alternativa de Bossanova dos Pixies. Como qualquer outro período de mudança, a viragem de década vem carregada de melancolia, de um certo abstraccionismo que não permite catalogações rígidas, e muito menos estruturas estilísticas definidas. Os estilos cruzam-se. As divisões entre mainstream e underground diluem-se quanto baste para permitirem a fusão de novas identidades. É neste contexto que surge a série televisiva Twin Peaks e com ela uma banda-sonora única que tem perdurado nas vogas dos circuitos indie e alternativos durante décadas. As manifestações são de uma diversidade paradigmática: do projecto mais obscuro que busca o aspecto industrial do design sonoro de Lynch, ao reavivar de conceitos pop dos anos 50 com a dose certa de estranheza; da personificação artística do estereótipo bipolar de Laura Palmer, ao extravasar de influências jazzísticas para uma recriação fumarenta do Black Lodge; da intenção de dar continuidade a um estilo único através de um subtil minimalismo, à apropriação oportuna da onda pseudo-alternativa dos anos 2010s com o regresso de Lynch à série em 2016.
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